fbpx

O que aprendi com a morte do meu pai

pai

Compartilhe:

Saber conviver com a finitude é entender que o dia a dia precisa ser intenso e amoroso sempre. O processo de luto não é fácil, mas olhar para a dor faz parte do caminho.

Foi em 23 de agosto de 2015, um lindo domingo de sol, meus pais chegaram em minha casa para mais um daqueles jantares em família, e nas mãos, alguns exames. Minha mãe disse: “Seu pai não se sentiu bem, passamos em uma clínica 24 horas antes de vir para cá, fizemos alguns exames, a médica de plantão nos encaminhou para um especialista”.

Eu não sou médica, mas peguei rapidamente aqueles exames, olhei, e em um deles, era evidente: havia algo ali que não deveria ter. Não perdi tempo. Anotei o telefone do médico indicado, e na segunda feira, no primeiro horário, marcamos uma consulta.

No dia e hora marcada, lá estávamos nós: eu, minha mãe e meu pai. O médico examinou meu pai, pediu mais um monte de exames, que já fizemos na semana seguinte, e quando o resultado saiu, lá estávamos nós três outra vez. O médico olhou o exame com atenção e com muito cuidado, escolheu as palavras para nos explicar o que estava acontecendo.

Não vou mentir. Por um momento, quando ouvi o diagnóstico, fiquei desorientada, senti raiva, ansiedade, medo, preocupação, angústia. Quando olhei para o meu pai, percebi que ele estava me olhando, e em seu olhar, observei que ele estava tão desorientado quanto eu. Minha mãe, já chorava. Naquele momento pensei: “Antes de mais nada, CORAGEM”, pois a partir daquela data, nossas vidas não seriam mais as mesmas. Nossa desconfiança acabara de ser confirmada. Câncer, e em estágio avançado, este foi o diagnóstico.

Meu pai nunca soube, mas naquele mesmo dia, antes mesmo de sairmos da clínica, enquanto ele aguardava a secretária marcar nova consulta e exames, eu liguei para meus irmãos, confirmei o diagnóstico, e finalizei com a seguinte frase: “Antes de mais nada, CORAGEM!”.

Marquei com eles um café lá na minha casa, para às 17h30min daquele mesmo dia. Um pouco mais de duas horas, era o tempo que eles tinham para chorar, sentir raiva, ansiedade, medo, preocupação, angústia e assimilar. Desta forma, durante o café, que seria o momento onde eu falaria do diagnóstico, e eles “fingiriam não saber”, todos estariam um pouco mais fortes, para neste momento podermos, juntos, dizer ao nosso pai: “Antes de mais nada, CORAGEM!”. E foi o que aconteceu.

Nos dias seguintes começamos por uma busca desenfreada por informações e especialistas em diversas áreas. Começamos o tratamento, que para nossa alegria, começou a surtir efeito. As festas de fim de ano vieram, estávamos todos felizes, esperançosos, determinados e antes de mais nada, corajosos. O fim do ano é sempre um bom momento para pensarmos um pouco sobre a vida, e naquele ano tínhamos motivos extras para refletirmos.

As coisas iam caminhando bem, os exames realizados no inicio de dezembro de 2015 haviam nos mostrado que o tumor já tinha diminuído pela metade. Entretanto, no inicio de fevereiro de 2016, meu pai nos confessou que os sintomas que ele sentia antes de iniciar o tratamento, haviam voltado. Refizemos os exames, e com muito pesar, recebemos a noticia de que o tratamento já não estava mais funcionando, e o tumor estava um pouco maior, comparado com quando descobrimos a doença.

Dali por diante, tudo complicou. Iniciamos um novo protocolo, que é como os especialistas chamam os medicamentos quimioterápicos, e em maio de 2016 o médico pediu para que eu chamasse meus irmãos. Ele queria falar com todos os filhos. Somos em quatro, e nesta consulta, minha filha que na época tinha 20 anos, também estava presente. Eu não queria, mas ela insistiu muito para ir, me disse que era importante para ela. E ali, ouvimos o que ninguém quer ouvir: “o organismo do seu pai não está respondendo a nenhum tipo de tratamento. Já utilizamos todos os tipos de protocolos de quimioterapia, fizemos radioterapia, e nada funcionou.”

A dor se instalou. Olho a minha volta, e só vejo angustia, medo, ansiedade e tristeza.

Nos meses que se seguiram buscamos a opinião de outros profissionais, falamos com outras famílias, e nada. Buscamos até novos protocolos que estavam sendo testados. Só restava nos concentramos nos cuidados paliativos para buscar melhoria em sua qualidade de vida.

Em outubro de 2016, dias após ter recebido alta do hospital, por onde ficou internado por quase duas semanas por conta das fortes dores que ele sentia, e onde os exames mostraram que o câncer já tinha se alastrado também para os pulmões, meu pai chegou perto de mim e disse que queria me fazer dois pedidos. E eu prontamente respondi: “Pode fazê-los, pai.”

E estas foram as palavras dele: “Filha, você tem sido minha parceira. Tem cuidado de mim, da sua mãe, e ainda se preocupa em tranquilizar seus irmãos, e o resto da família. Você é forte. Eu sei que não vou viver por muito mais tempo, por isso eu quero te pedir duas coisas: a primeira é que eu quero morrer na Gamboa, na minha casa da Gamboa, não quero morrer em um hospital. Isso é muito triste. A segunda é que você cuide de sua mãe, do Hermes (meu irmão) e de suas tias Cotinha e Liquinha (é como ele chamava minhas tias, suas irmãs). Você pode fazer isso por mim?”

Com os olhos cheios de lagrimas e o coração cheio de tristeza, eu respondi: “É claro que sim, pai. Mas primeiro eu preciso conversar com os médicos para aprender os cuidados necessários, e para saber o que fazer quanto aos diversos sintomas e situações que poderão existir, aparecerem.”

Depois de um curso intensivo sobre cuidados paliativos no tratamento de câncer, o que inclui inclusive aplicação de morfina injetável, em novembro de 2016 me mudei com eles para a Gamboa. Isso inclui minha filha e meu marido. Realizamos na casa dos meus pais as adaptações necessárias para que ele e minha mãe ficassem bem instalados (minha mãe não saiu do lado dele nem por um instante). E passamos a morar ali.

Nas semanas que se seguiram fomos vendo, pouco a pouco, o homem forte e destemido, ficando mais magro e perdendo suas forças. Quando chegou o natal ele já andava com dificuldade, falava baixo e devagar, mas continuava a sorrir o tempo todo. No primeiro dia do ano, vi pela a primeira vez meu irmão mais velho chorar. O que desejar nesta virada de ano?

Na semana seguinte, veio a dificuldade em andar, comer sozinho, falar, sair da cama. No sábado, dia 14 de janeiro de 2017 era aniversário da minha cunhada, estávamos todos ali, mas meu pai já não conseguia sair da cama. E no dia 15, ele partiu. Ali, na casa dele, na Praia da Gamboa, como havia me pedido.

Embora sabíamos que este dia estava próximo, a dor que senti, não consigo descrever em palavras. Naquele momento eu só pensava que tinha realizado o primeiro pedido dele, agora faltava o segundo: cuidar daqueles que ele achava que “sofreriam mais”. E foi o que fiz. Me mantive forte, e me concentrei em ajudá-los a suportar a dor que se instalava em nossa família naquele momento.

Desde a descoberta do câncer, meu foco passou a ser o tratamento do meu pai. Eu estive presente a cada consulta, cada exame, cada quimioterapia e cada sessão de radioterapia. Suspendi minha agenda de palestras, cumprindo apenas com aquelas que já estavam marcadas, e passei a me dedicar exclusivamente à família. E no final, não podia ser diferente.

O impacto de uma doença como o câncer não afeta apenas o paciente, mas estende-se a todo o universo familiar, impondo mudanças, exigindo reorganização na dinâmica familiar para incorporar, às atividades cotidianas, os cuidados que a doença e o tratamento do paciente exigem.

Meu pai era um homem humilde. Um pescador que abandonou sua terra natal, uma vila de pescadores chamada Praia da Gamboa, situada a 15 Km do centro de Garopaba/SC, com um único propósito: que seus filhos pudessem estudar e ter mais oportunidades. Sempre sorridente, olhava continuamente para as soluções e não para os problemas, ajudava a todos, gostava de plantar, pescar, ficar com a família e jogar dominó com os amigos.

Sinto saudades do meu pai e gostaria de discutir com ele questões sobre a vida e a morte. Quem vai me dizer justo o oposto do que eu espero ouvir? No dia seguinte ao enterro, levantei da cama sentindo uma tristeza profunda. Como acordar num mundo em que meu pai não está mais presente? Só ele mesmo poderia responder a essas perguntas. Provavelmente, ele diria algo como: “Você vai dar conta do recado, para morrer, basta estar vivo”.

Ainda recordo com frequência, as conversas que tínhamos, principalmente quando meu pai estava internado no hospital. Ele gostava de falar sobre as coisas da vida: o amor, a amizade e a família que conquistou. Falou sobre minha mãe e o amor infinito que sentia por ela, e como ela havia segurado firme ao lado dele todos os percalços que eles haviam passado ao logo dos 42 anos de casados. Questionou se nunca mais ia ver seus netos. Disse com orgulho a um enfermeiro que eu era escritora. Disse que eu estava bonita. Chorou ao ver meus sobrinhos em uma transmissão por Skype. Me contou sobre as dificuldades que enfrentou quando era criança, e de como ele e minha tia Cotinha aprontavam na infância.

Olho no espelho e vejo meu pai em mim. No nariz, na cor dos olhos, na coragem, na determinação em fazer o que é certo. Na força de quem contradisse todos os prognósticos médicos e melhorou quando era para piorar, e piorou quando era para melhorar. Meu pai e a liberdade de ser quem se é. Meu pai e suas limitações. Meu pai me mostrando que a vida é o que ela é. Sempre lutei para me tornar uma mulher livre e ao mesmo tempo comprometida com a vida e com aquilo que os poetas chamam de Amor. Afinal, fiz assim.

Meu pai me ensinou a lutar por uma educação completa da vida. A amar o próximo, a ser ética e verdadeira em minhas condutas. A ser feliz com as pequenas coisas da vida, a lutar pelos os meus sonhos. É isso o que chamo de “dever cumprido”. A sensação de que não está faltando nada”. Te amo, pai.

E antes de mais nada, CORAGEM!

Compartilhe:

Katiane Vieira
Katiane Vieira

Escritora, palestrante e empreendedora social com foco em desenvolvimento sustentável. Seu objetivo é motivar as pessoas de todos os cantos do mundo a fazerem mais para que possam viver uma vida mais feliz, seja para obter mais benefícios de suas atividades diárias ou para viver uma vida cheia de emoções positivas e realizações únicas.

30 respostas

  1. Olá Katiane…meu nome é Renata Vieira…perdi meu pai tbm pro câncer(doença q não é fácil pronunciar) daí já me identifiquei c vc…desde o começo de 2017 meu pai veio à passar mal…td começou depois q ele operou de hérnia umbilical…sei q não tem nada haver mas depois dessa simples cirurgia meu pai veio adoecendo lentamente…em abril do mesmo ano ele teve sua 1°crise convulsiva…ficou internado por 3 dias e recebeu alta c exames realizados e p serem realizados…tudo pela rede pública q mtas vezes demora mto…em maio a 2° crise(11 de maio qdo ele e minha mãe completaram 50 anos de casados e eu e meu marido 15 anos de casados…dia bem marcante)…em meados de julho a 3° crise…só aí o neuro q o acompanhava passou fenobarbital(gardenal)…ele não teve mais crises assim…mas em outubro de 2017 ele teve pneumonia q foi tratada em casa…em dezembro descobrimos uma trombose na perna esquerda…passou se o ano e como ele estava bem melhor podemos nos aliviar um pouco de toda aquela angústia…em março de 2018 eu até viajei c meu marido e minhas filhas(Maria Fernanda-15anos e Ana Carolina-11)…fui tranqüila p/ Florianópolis sabendo que meu paizinho estava bem…eu ligava pra falar c ele e minha mãe todos os dias em q fiquei fora de São Paulo…e ele sempre falava q era pra eu voltar logo pq ele estava com saudades tadinho!!!…ficamos fora 9 dias…ele disse q parecia ser 30 dias coitado de tanta saudades da gente…bem…até aí tudo bem…mas qdo menos esperávamos em maio ele sofreu um AVC e ficou 18 dias internado…foi mto bem tratado assim como nós os familiares que o acompanhava…e dali em diante além da.medicação pra epilepsia ele passou a tomar anticoagulante(xarelto)…passou a ter acompanhamento com vascular….nesse meio tempo de correrias meu pai fez todo tipo de exames…menos a endoscopia pra saber a causa de um soluço q era interminável…ele chegava a ficar soluçando 20 dias seguidos coitadinho…e não podia ser anestesiado pelo menos durante 3 meses por conta do AVC…era perigoso ele não voltar da anestesia…então esperamos até mais ou menos a data pra fazer essa endoscopia q foi por volta de setembro de 2018…mas não deu certo…meu pai foi internado com pneumonia e ficou 21 dias tomando antibióticos…na verdade eles testaram 2…no 3° o corpo dele respondeu à medicação…pq ele estava com uma bactéria mto resistente…toda essa correria eu o acompanhava…ele sempre falava pra todo mundo q eu era a companheirona dele…q eu quem o ajudava mto…somos em 4 irmãos…cada um tem sua vida…trabalham fora…um deles mora em Araraquara…eu já trabalhei mto e já tive meu próprio negócio…mas vendi meu comércio e meu carro pra comprar meu apartamento…depois disso eu virei autônoma…sempre tenho alguma coisa pra vender e ajudar na renda familiar…mas enfim…eu na verdade era a filha mais disponível à eles(e sou a filha mais agarrada tbm…depois vem meu irmão de Araraquara….rsrsr)…oq eu pude fazer pra ajuda-lo eu não hesitei…eu fiz não só por obrigação mas mto mais por amor…afinal ele foi o 1° Homem com quem eu quis casar rsrsr…o Homem q eu mais amo nesta vida e além dela…meu pai voltou pra casa no começo de outubro…só q reparamos q ele se debilitava cada vez mais…foi igual ao seu paizinho…já não fazia as coisas sozinho…tínhamos q ajudá-lo a levantar da cama…colocar comida na boca…dar banho…e todas as outras coisas rotineiras…sua fala tbm estava comprometida…ele tinha confusão mental…tinha q fazer inalação todos os dias pq já não respirava bem por conta da pneumonia q não o largava…fora o soluço(q até apelidei de Seu Lúcio…e ele ria com isso)…passamos o mês de outubro cuidando dele em casa…no começo de novembro ele passou mto mal e tivemos q chamar a ambulância pra leva-lo rapidamente pro P.S no meu bairro…ali ele ficou 3 dias c suspeita de infarto e foi transferido pra o P.S Central de São Bernardo do Campo…onde foi internado outras vezes…ali ele teve toda assistência possível no CTI e tbm na UTI…lá eles realizaram vários exames e descobriram q ele tinha tido outro AVC grave …em uma certa hora eu questionei a endoscopia…ali eles alegaram q o foco seria o AVC q foi mto grave…depois eles partiriam pra outra etapa onde se realizaria a tal da endoscopia…passaram se 3 dias e meu pai precisou ser entubado…me partiu o coração saber q ele estava em coma…mas não deixamos de ter fé e falar no ouvido dele o qto era importante ele lutar e saber q amávamos mto e ele não estava sozinho….fora q eu cantava pra ele e mesmo toda desentoada…eu percebia q os batimentos dele melhorava…assim foi 12 dias…depois foram tirando a sedaçao aos poucos pra depois desentubar…meu medo era ele voltar do coma e não conhecer mais ninguém…um belo dia eu cheguei na UTI e lá estava meu paizinho com os olhinhos abertos e qdo eu o chamei ele me procurou c os olhos na hora…sempre íamos minha mãezinha e eu visita-lo os dois horários que tinha por dia…meu irmão iam qdo dava…o de Araraquara vinha todos os finais de semana…no meio da 1° semana de dezembro de 2018 os médicos cogitaram a possibilidade de um câncer…ele estava mto amarelo c icterícia e mto inchado…talvez poderia ser tbm das medicações…então o tranferiram para outro hospital p obter o diagnóstico certo…minha irmã foi c ele após a visita da tarde e aquele dia eu iria de noite com minha mãezinha pra ve-lo…isso foi numa quinta-feira…então minha irmã disse q nem adiantava eu ir na visita do outro hospital pq ela não tinha conversado com o médico q irai cuidar dele…fui no outro dia sexta feira…enquanto minha mãe rezava o terço ao lado de meu pai…a médica me chamou pra conversar…e c mta delicadeza e humanidade ela disse q era 95% de cahnce de ser a tal doença…bom o diagnóstico só foi confirmado mesmo no sábado dia 16…daí em diante nossas vidas tinham tido um solavanco…um choque…igual vc disse primeiramente CORAGEM…foi oq tivemos…eu tinha decidido juntamente com minha família q eu ficaria com ele o tempo todo de acompanhante…não iria revezar com ninguém…ficamos na UTI humanizada…os médicos já haviam aberto a visita o dia todo sem limites de pessoas(entrando 2 por vez) pra poder despedir do meu Herói…desde então eu já havia pedido permissão p os enfermeiros e a médica pra fazer sua barba….eu não arredei o pé do lado dele…Katiane eu fiz oq nunca imaginei ter coragem…fiz a barda dele quase que completa pq como ele estava entubado não tinha como fazer tudo…então só ficou o bigode pra fazer…já tinha cortado as unhas uma semana antes…cortei os cabelinhos do ouvido e do nariz…passei creme depois de barbear…penteei os cabelos e o dexei lindo e cheiroso assim como sempre foi vaidoso…pedi sua bênção(mesmo sabendo q não me responderia)…e deitei na poltrona ao lado de seu leito…isso era por volta de quase 2hrs da manhã…qdo deu mais ou menos 4h28 eu acordei c um gelo q nunca senti e nem sei explicar…fiquei procurando pra ver se o ar condicionado estava perto da onde estávamos…mas não tinha nada o ar tava bem longe…qdo derrente o munitor começou a apitar e as linhas curvadas ficaram retas…ali meu paizinho tinha nos deixado…me deram toda a assistência qdo a enfermeira me tirou do quarto pra fazerem os procedimentos necessários…logo em seguida me chamaram de volta pro quarto pra terminar de fazer sua barba…eu já havia dado a pior notícia pros meus irmãos e marido….qdo cheguei no quarto meu marido chegou em seguida(depois q eu liguei avisando ele veio praticamente tele -transportado)…foi qdo comecei a conversar com meu pai dizendo q iria terminar a sua barba…q ele iria ficar igual sempre gostou…c.o rosto lisinho sem barba…e assim eu fiz…diz meu marido q uma das enfermeiras teve até q sair do quarto pra chorar…pq nunca tinha visto uma coisa assim tão tocante entre pai e filha…eu agradeci em nome de minha família à todos q ali estavam…até me pediram um abraço…isso me fez sentir q eu fiz oq prometi pro meu pai…q iria c ele até o fim já q ele me via como sua companheira…igual vc falou em um trecho…sensação de missão cumprida…hj eu sei a sensação da saudade do abraço e do beijo da pessoa que vc daria a vida por ela e não tem esse aconchego…as nunca vou esquecer seu cheirinho…seus beijos e abraços…os.conselhos e as broncas de amor…nunca questionei à Deus…e nem posso…pq sei q estarei c meu pai novamente em outro plano assim como nosso amor é mto além dessa vida…me identifiquei mto c vc Katiane…bjos e desculpa meu depoimento ser tão longo…mas depois disso eu me senti um pouco mais leve sabe?!?!?!❤

    1. Oi Renata!

      Que depoimento emocionante. Muito obrigada por compartilhar conosco esta fase de sua vida. É um belo exemplo de foça e determinação. A dor pela partida de alguém que amamos é algo inexplicável. Ainda que Deus nos ensine muitas coisas todos os dias nós nunca, nunca aprendemos a perder! E embora processo de luto não seja fácil, mas olhar para a dor faz parte do caminho.

      No início é muito difícil. Nos meses que se passaram, sempre no dia em que ele faleceu, nos lembrávamos. No primeiro aniversario (dele) sem ele, no primeiro dia dos pais… como foi difícil! Mais ainda no primeiro natal e virada de ano. Era como se não tivéssemos o que comemorar. Só dava para pensar: “Antes de mais nada, FORÇA!”

      Mas aí o tempo entra em ação e dá sentido às coisas, tornando a dor de uma perda no prazer da saudade, sentimento que só ocupa o espaço das grandes pessoas que passam por nossas vidas. Às vezes faz chorar e às vezes faz sorrir.

      Feliz daquele que teve (como nós duas), daquele que tem ou terá alguém para amar…
      Mas o melhor é manter, independentemente de qualquer coisa, este amor feito saudade eternamente no coração! Tenho certeza de que, onde quer que ele esteja, seu pai deve ter muita gratidão, amor e orgulho de você!

      E antes de mais nada minha amiga, FORÇA!

      Grande abraço, Katiane

      1. Quão triste é a dor de quem vê seu Pai agonizando por essa doença no hospital. Meu Pai lutou tanto tanto ficou 90 dias internado da 1 vez. Vou resumir só sinto saudades do meu velho mais tb sentimento de dever cumprido. Dói demais.

        1. Regis, compreendo sua dor. É sim um processo duro, triste.

          Por fim te deixo a seguinte mensagem: Siga firme! Toda dor sempre nós traz uma lição, um aprendizado, uma transformação. Tenho certeza que próximo a você deve ter outras pessoas que precisam de sua força, de sua atenção, de seu amor.

          Guardo na lembrança as lições me meu pai me deixou… lembro com saudade, com carinho. O tempo foi amortecendo a falta e fortalecendo a crença da importância de estar, de fato, presente na vida de quem amamos. Nos nunca saberemos o dia que alguém próximo, ou nós mesmos, iremos partir. Por isso, aproveitar cada momento, viver na lembrança das pessoas, é o que nos torna imortais.

    2. Coincidência! Lendo seu relato, meu pai também operou de hérnia e depois disso, a saúde foi fragilizando até aparecer um CA. 12/05/22 meu pai faleceu. Recusou-se a imunoterapia sabendo que era apenas 1 milagre sua cura. Muito triste, estou! Busco forças para encontrar um trabalho e seguir adiante.

      1. Oi Janaina! Entendo perfeitamente a sua dor. Força, por você e por sua familia. Quando alguém que amamos parte, durante um período fica um vazio que, com o tempo, é preenchido pelas lembranças. 🤗

  2. Chorei muito com os depoimentos de vcs…perdi meu paizinho há 2 anos para o câncer e cirrose hepática…sinto tanta falta dele ..passamos por momentos tristes no hospital. Eu nunca havia perdido ninguém próximo…achava que perderia meus avós que estão com 90 anos mas não ele primeiro. …como dói. Obrigada pelas palavras de vcs… conforta a gente…bjs

    1. Oi Aline! A dor da partida de um ente querido é uma dor que não cura, ela se transforma. Primeiro vem a dor da separação, depois o tempo entra em ação e dá sentido às coisas, tornando a dor de uma perda no prazer da saudade, sentimento que só ocupa o espaço das grandes pessoas que passam por nossas vidas. Às vezes faz chorar e às vezes faz sorrir. Quando compartilhamos, força aí! Bjs

  3. Muito lindo seu depoimento. Eu perdi o meu pai recentemente e o que relatou aconteceu comigo e minha família. Eu escutei uma frase de um amigo durante o Luto .. “o mesmo amor que nos une é o que nos conforta” … me ajuda até hoje. Hoje ajudamos pessoas e famílias que passam por isso … se permite, vou compartilhar seu post .

    1. Olá Rodrigo! Belíssima frase dita pelo seu amigo e mais ainda o que você tem feito com sua dor: ajudar pessoas e famílias que passam por isso. Quando compartilhamos, nos tornamos mais fortes. Parabéns e fique a vontade em compartilhar este post. A ideia é poder ajudar! Abraços

  4. Oi! eu perdi meu pai a 20 dias e não sei como sair dessa tristeza profunda… li o seu post e estou tentando ter força e coragem para continuar. O meu pai lutou cotra o câncer esse ano foram exatamente 8 meses ele foi um guerreiro!!! Ele era meu melhor amigo sinto tanto a falta dele. as vezes não tenho vontade de me levantar mas sei que preciso. na maior parte do tempo lembro do sorriso, do olhar …. tudo me lembra ele… Obrigada por ter compartilhado sua historia isso ajuda muito!!!

    1. Oi Angélica! Lidar com a partida de alguém que amamos não é simples. Somos dotados de sentimentos que nos remetem à saudade daquele que se foi e à dor da perda pode ser grande. É natural que a morte de uma pessoa amada abale nossas tarefas diárias, principalmente por se estar diante de um momento de dor.

      Cada um de nós tem seu tempo para processar o luto e é preciso ter paciência para reorganizar a vida aos poucos, um dia de cada vez. Voltar às atividades que proporcionam prazer e alegria é um primeiro passo importante. É bom lembrar que seu pai amado estaria feliz em ver o seu momento de superação. Me apego a isso diariamente!

      Abraços, Katiane

      1. Perdi meu pai em 17/05/2019, fazem 7 meses. Meu melhor amigo infartou aos 77 anos. Era diabético e amputou os dedos dos pés. Teve alta dia 17/04 para infartar em casa 1 mês depois.
        Não sou a mesma pessoa. Minha fuga é a bebida. Quero beber para esquecer e não chorar. Sinto uma angustia enorme. Sou filha unica. As vezes sinto vontade de sumir…é angustiante saber que nunca mais irei ver meu pai….

        1. Olá Simone! Perder alguém que amamos nunca é fácil, e o luto é uma das experiências mais doloridas para o ser humano. E infelizmente, o luto não pode ser curado, uma vez que não é uma doença. A priori, o luto é uma reação natural a perda de alguém ou algo muito importante em nossa vida.

          Quanto mais próxima for a pessoa, mais dolorido será o sentimento de perda. Choro, desanimo e sensação de dor são sentimentos normais.

          Cada pessoa tem a sua forma de reagir diante do luto. Não existe um padrão único para todas as pessoas, sendo que cada uma vive de um jeito diferente. Algumas pessoas se calam, outras se fecham em seus mundos, se afastam. Ainda há quem se torna ativo, querendo falar, chorar abertamente e estar acompanhado. Em todos esses casos, existem uma coisa em comum: todos estão sentindo dor, e precisam ser respeitados.

          Entretanto, deve-se ficar alerta para o quadro do luto quando ele afeta bruscamente na vida, como abandono de emprego, de escola, namoro ou casamento, não conseguir se preocupar com seus filhos ou com suas contas, emagrecer ou engordar significativamente, assim como passar a ingerir bebida alcoólica, desmaios, taquicardias, dores diversas. Esses quadros requerem um acompanhamento psicológico. Quem sabe um um profissional possa ajuda-la a passar por este processo?

          Para te ajudar a lidar com o luto, reuni alguns sites que podem auxiliar nesse momento. Deixarei eles aqui, e você pode se sentir a vontade para visita-los, conhece-los e receber auxilio neste momento, OK?

          Abraços, Katiane

          Vamos falar sobre o luto? http://vamosfalarsobreoluto.com.br | Laços e Lutos https://lacoselutos.com.br | Perda e Lutos https://perdaseluto.com |

        2. Perdi meu pai também de infarto fulminante, tem 15 dias, ele era muito saudável, 78 anos. Também sou filha única. Tudo está muito difícil, as vezes vontade de ir junto com ele, mas minha mãe tb é minha joia rara, preciso cuidar dela. Mas força as vezes vai embora, a saudade aperta, o coração fica dilacerado.
          A vida vira de ponta cabeça, morávamos longe, hoje não sei nem para que lado devo seguir.
          Com uma semana do falecimento fui até o tumulo e o cheiro de decomposição me matou mais um pouco. Estou bem perdida. Quanta saudade…..

          1. Oi Patricia! Meus sentimentos pela partida do seu pai. De fato a dor pela partida de alguém que amamos é algo inexplicável e no início é muito difícil. É difícil dizer adeus quando se quer ficar, e difícil sorrir quando se quer chorar, e ainda é mais difícil saber que a partir daquele dia, eu não o teria mais ao meu lado. Lembro de me sentir desorientada, uma sensação de vazio. Só quem já perdeu alguém próximo sabe a dor e a confusão emocional que é lidar com essa ausência. Vários sentimentos (como tristeza, raiva, saudade, frustração, impotência, solidão), se misturam em uma coisa só, que chega a doer fisicamente.

            Mas é preciso buscar forças. Felizmente estado de sofrimento extremo, na maior parte das vezes, não perdura no tempo. A superação do luto ocorre gradativamente; vamos recuperando a energia, e o nosso Eu vai voltando a se organizar e se fortalecer. Forças para conseguirmos dar apoio a aqueles que ainda estão aqui, e que também amamos, como sua mãe por exemplo. Me ajudou muito pensar que eu ainda tenho uma missão a cumprir e mesmo que ele já não esteja mais entre nós, ficaria orgulhoso de minhas escolhas. Tenho certeza que o seu também ficará das suas. Bjs e coragem!

        3. Que dor. Lendo a sua história me dá força. E muito difícil perder o nosso melhor amigo . O nosso PAI. O homem que nos mostrou o mundo. Faz hoje 28 dias que o meu pai me deixou! Isto não é fácil meu Deus . Mas obrigado por dividir sua história linda ❤️

  5. To muito triste,pesquisando achei seu posto.Perdi meu pai p o câncer,nem chance de lutar teve. Cada dia q passa achei q fosse passar essa dor! Mas não fica pior😢 mais triste ainda não ter ninguém p conversa sobre o q to sentindo,as pessoas parece q não se importa com sua dor. Ainda ouvi da minha mãe …q eu não to sofrendo mais q ela😟pensso no meu pai 24 hs ,faz 2 meses q ele não está mais conosco,tanta dor ,quanta saudades. Desculpa foi só um desabafo. Deus nos abençoe!

    1. Oi Renata! Sinto muito por sua dor. Sei bem como é… a dor pela partida de alguém que amamos é algo inexplicável e no início é muito difícil. Em meu caso, conforme os meses iam passando, sempre no dia em que ele faleceu, nos lembrávamos. No primeiro aniversario (dele) sem ele, no primeiro dia dos pais… como foi difícil! Mais ainda no primeiro natal e virada de ano. Era como se não tivéssemos o que comemorar. Me foquei no pensamento: “Antes de mais nada, FORÇA!”. E é o que lhe desejo, FORÇA! Tenho certeza de que, onde quer que ele esteja, seu pai deve ter muita gratidão, amor e orgulho de você! Abraços, Katiane

  6. Ola katiane, dia 4 de nov o meu pai queixou se de uma dor nas costas. Dia 5 as 8 da manha ele bateu me a porta dizendo que tinha que ficar internado tinha uma pneumonia grave.durante esse dia todo perguntei lhe se era so a pneumonia pois achava que ele estava muito estranho. Foi então que ao fim de varias tentativas ele me disse que a medica viu um nodulo no pulmao. Depois Daí ficou internado fez abiopsia e veio só a confirmar câncer 😔 no dia que fez a biopsia teve uma trombose na perna derivado a anastesia coágulo o sangue, mas até ai ficou podendo vir pra casa ao fim de uns dias as dores o cansaço sempre a aumentar a fraqueza ate que foi novamente para hospital novamente internado, uma ambulia no pulmão e anemia grave… e os tratamentos iam se adiando ficou la ainda uns20 dias voltou a vir pra casa e passado uns depois do jantar teve um avc voltou para o hospital , anemia piorou muito e ele teve que levar uma transfusão de sangue faleceu nesse mesmo dia as 21;40 tinha 56 anos feitos no hospital é uma dor sem fim tanho 25 anos nunca pensei perder o meu pai o melhor amigo o meu professor da vida assim pra esta doença no dia de natal o medico autorizou a minha visita, e ele chorava muito ao ver me e isso ainda esta na minha memória o sofrimento dele😔😭🖤desculpe o meu grande texto.um beijo

    1. Oi Andreia! Entendo perfeitamente sua dor. Acompanhar todo este processo ao lado daqueles que amamos é muito dolorido. O impacto de uma doença como o câncer não afeta apenas o paciente, mas estende-se a todo o universo familiar. Procure se lembrar que você estava lá. Tenho certeza que isso por si só já deve ter proporcionado acalento no coração de seu pai. No mais, te desejo força, todos os dias. Tenho certeza de que, onde quer que ele esteja, seu pai deve ter muita gratidão, amor e orgulho de você! Bjs

  7. Oi Katiane, sou Luciano moro em Florianópolis, e recentemente perdi meu pai no 25/12/2020 – para um infarto, no dia 23/12 estava saindo para buscar compras no mercado com minha mãe, ao avançar no farol minha mãe sentiu uma fisgada brusca no freio do carro e viu que meu pai estava desmaiado, saiu gritando por socorro na rua, e meu pai foi reanimado pelos policiais do posto onde tinha sofrido a parada cardíaca. Teve uma melhora no hospital quando foi 24 para dia 25/12, médicos informaram um batimento muito rápido do coração, e as 3:30 do dia 25/12 faleceu. Uma dor gigante e tenho trabalhar todo dia com essa dor. Meu pai foi sempre durao honesto e sinsero, mas não aguentou faleceu.

    1. Oi Luciano! Entendo perfeitamente a sua dor. Meus sentimentos pela partida do seu pai.
      Lidar com a partida alguém que amamos é bem difícil… o luto é uma das experiências mais doloridas que podemos vivenciar. Lembro de me sentir desorientada, uma sensação de vazio. Confesso que até hoje, e já se passaram 4 anos, ainda sinto a dor da partida. Não na mesma intensidade, mas as vezes, ainda me faz chorar. Mas o processo é esse mesmo! A superação do luto ocorre gradativamente; vamos recuperando a energia, e o nosso Eu vai voltando a se organizar e se fortalecer.
      Força Luciano! Certamente há muitas pessoas ao seu redor, que continuam aqui e precisam de você! Abs

  8. 2 anos que perdi meu pai parece q foi ontem não consigo me recuperar não falo pra ninguém mais minha felicidade hj e superficial carrego uma tristeza e um vazio muito Grande no coração quando lembro me falta até o ar .parece q meu refúgio e comer então engordei mais de 30 kilos .se pudesse nem de casa sairia..que tristeza que sinto.😭😭😭

    1. Oi Girlany! DE fato é muito difícil lidar com a dor da partida de alguém que amamos. Faz quatro anos que meu pai morreu… por vezes a saudade bate tão forte, que lagrimas acaba caindo. Mas amiga, não podemos deixar que esta dor consuma nossos dias, nossa saúde, nossa alegria. Se você sente que ainda está pesado, procure ajuda em grupos de apoio ou até mesmo em terapia. Você precisa sempre lembrar que sua missão ainda não acanhou e certamente e certamente ele iria querer te ver bem! Pense com carinho! Bjs

  9. Muito triste os depoimentos, só sabe dessa dor quem passa por ela. Perdi meu pai dia 23/04/2020 pra um câncer de instetino com metastese, muito triste essa doença que vai debilitando e te deixando fraco. Hoje ainda não me recuperei da dor e acho que não vai passar nunca.

    1. Oi Andrea, é uma dor que a gente não consegue explicar. Concordo com você… ver alguém que você amada ficando debilitado dia a dia, seja por qual doença for, é muito triste. Compartilhamos histórias parecidas. É como falei para a Girlany, você precisa sempre lembrar que sua missão ainda não acanhou e certamente e certamente ele iria querer te ver bem! Antes de mais nada, coragem! Bjs

  10. Que história de “superação “incrível…Minha família tá vivenciando um processo terrível do que é o luto…Nosso patriarca perdeu para covid..E continuamos como balões soltos no ar sem saber exatamente como “rodar a chave e reaprender a caminhar…Nosso paizinho era o nosso porto seguro…Um homem cheio de vida e alegria…Que faleceu sozinho…E nós deixou em pedaços

    1. Oi Kátia! Meus sentimentos pela partida do seu pai. De fato a dor pela partida de alguém que amamos é algo inexplicável e no início é muito difícil. Mas é preciso buscar forças. Felizmente estado de sofrimento extremo, na maior parte das vezes, não perdura no tempo. esta fase de ‘balões soltos no ar”que você relata, é normal. Ainda vai levar um período, mas vai passar. A superação do luto ocorre gradativamente; vamos recuperando a energia, e o nosso Eu vai voltando a se organizar e se fortalecer. Forças para conseguirmos dar apoio a aqueles que ainda estão aqui, e que também amamos. Forte abraço

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Categorias
Podcast
Katiane Vieira
ACESSE!
Teste de Inteligência Emocional
Acompanhe no Facebook
Quer receber novidades? Coloque seus dados abaixo!